APRESENTAÇÃO



"Foi na feira da cidade de Woolton que o conheci. Eu era um estudante gorducho e, quando ele apoiou um braço no meu ombro, percebi que estava bêbado. A gente tinha doze anos na época, apesar das costeletas que ele usava, e acabamos amigos por toda nossa adolescência.
Tia Mimi, que estava cuidando dele, já que ele andava tão tocado, costumava me contar como ele era mais esperto do que dava a entender e coisas assim. Tinha até feito um poema para a revista da escola sobre um eremita que dizia: “como respirar é minha vida, de parar não ouso ousar".
Aquilo me deixou pensando: “será que é profundo?” Ele usava óculos de todos os formatos possíveis e mesmo sem eles nada o detinha:
- Qual foi a graça? - retrucava os uivos de riso que o julgavam.
Foi foi para a Quarry Bank High School para rapazes e mais tarde entrou no Art College de Liverpool. Abandonou a escola, tocou com uma banda chamada The Beatles e um dia resolveu publicar um livro de contos. Continuo me perguntando, “será que é profundo?" Será que é sofisticado, culto ou por dentro?
Não vão faltar os cabeças-duras que vão ficar pensando que tudo não faz nenhum sentido. E outros que vão ficar escarafunchando sentidos secretos.
- O que é um Líbrio?
- Há mais coisas entre o céu do que estes olhos que a terra há de comer.
Nada disso tem que fazer sentido e, se parecer engraçado, isso é o que basta".

(Paul McCartney, 1965).